sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Seguindo o passo

Olá...
Dei um descanso para o blog (admito que estava viciado em blogar).
E foi um tempo para me recompor, e repensar algumas prioridades...
Estou aprendendo a controlar meus impulsos. Um deles o de Stalkear pessoas, não só na esfera virtual como também na real.

Nós humanos e essas inevitáveis pulsões!!!

“De modo geral, podemos dizer que a pulsão é um estímulo que brota do corpo e alcança o aparelho psíquico na forma de uma idéia associada a um afeto.”
Fonte: Mente,Cérebro & Filosofia; ed.7, 2008

Uma das grandes pulsões pós-modernas é o ato de seguir alguém pelo orkut, e agora declaradamente, pelo Twitter. Mas nada que comprometa a nossa integridade (física ou moral), assim como a da pessoa seguida (observada, por vezes impelida). Internet é um meio que praticamente estimula esse tipo de ação (através de hiperlinks).

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Outro dia desses, eu estava voltando da faculdade a pé. O trajeto não é muito longo, uma caminhada de uns 20 minutos, sempre prazerosa. Porém fazer o mesmo trajeto inúmeras vezes nos faz buscar novos movimentos, pequenos prazeres, outros ângulos...
Algo que mude a visão, algo inédito dentro do mesmo caminho. Só então entregamo-nos a uma pulsão, a um novo motor.

Stalkeei alguém neste caminho de volta da faculdade. [enrolei, mas ta aí, falei]

Começou sem querer. Ela andava na minha frente com uma calça de ginástica, casaco amarrado na cintura, cabelos soltos. Se fosse teatro haveria aquele refletor só nela o arredor não existiria. Andavamos no mesmo ritmo; eu a dois/três metros atrás.
Acidentalmente, ambos faziam o mesmo caminho; por quase todo meu "tradicional" caminho.

Ela era baixa (1,60m?), logo subestimei sua capacidade de “fuga”. Porém era incrível como aquelas pernas curtas conseguiam dar passos tão longos. Engraçado que ela era rápida sem parecer apressada.
Então veio o sinal. Eu parei. Ela, agora sim apressada, ameaçou a dar um pique. O motorista não permitiu acelerando. Finalmente nos igualamos. Olhei para o lado, sorri...Parecia que eu queria ser notado, mas eu só estav...[droga, abriu o sinal!]

Fiquei parado e a deixei tomar dianteira. Poucos metros depois aquelas pernas curtas voltaram a se distanciar! Estou tão fora de forma assim? A minha perna longa não acompanha o ritmo mais (talvez se eu fosse jamaicano). =P
Só então notei como o mundo abria passagem para esta jovem, como uma deusa (pode cantar vai, foi proposital).
Nada a atrapalhava. Enquanto velhinhas atravessavam na minha frente, mamães e seus carrinhos de bebê desgovernados, e não por menos, o flanelinha que veio me perguntare
as horas.

Ela virou a esquerda, e eu tinha que seguir a diante (esse seria o meu curso natural). Não mudei o meu curso, mas parei, sorri sozinho por alguns segundos ao som de I Want You to Leave* no mp3 (parece mentira a coincidência mas acreditem ou não, o shuffle do meu mp3 me entende).

Os três metros que antes nos separavam tornam-se seis, nove, doze...múltiplos...São múltiplos os motivos não patológicos para stalkear alguém.
O meu foi a conveniente entrada de um ser tão belo (e faceiro) no meu trajeto (tão rotineiro e batido). Inevitavelmente deixei de controlar meu ímpeto e acreditei na inocência do meu ato. Nunca mais a vi, e nunca mais me senti inocente ao seguir alguém na volta da faculdade.

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Essa é a cidade, escolhemos personagens aleatórios e construímos uma história; a cada passo.
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*Musica da banda Maxïmo Park...não achei nenhum video no youtube decente, mas vale o download.

2 comentários:

Eu disse...

ótimo ^^
Adorei como você descreveu o ocorrido, muito bom rs

pitanga disse...

Poxa, nunca mais stalkiei alguém, só na internet mesmo, mas isso nem vale hj em dia, né? Rsrsrs...