segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Solidões


So-li-dão. sf (lat solitudine)
1
Condição, estado de quem está desacompanhado ou só.
2
Lugar ermo, retiro.
3
Apartamento, isolamento.
4
Caráter dos lugares ermos, solitários.

Sabe, não vejo a solidão como o simples ato de estar sozinho, isolado - palavras com uma conotação deveras triste e depressiva.
Vejo a solidão como algo grandioso, como um momento para descobrir a si mesmo e ao mundo, como uma sensação rara, estar sozinho mesmo rodeado de um monte de gente.

Ando lendo muitos livros ultimamente, e sinceramente, a temática 'solidão' é algo que me encanta muito, principalmente do ponto de vista feminino, sendo este o assunto das minhas atuais leituras.
Descobri que sou sozinha, e estou aprendendo a aproveitar cada pequeno momento da minha solidão, tornando-a algo mágico, transformando-a no momento que tenho para me conhecer melhor. A cada livro que leio sobre mulheres independentes e solitárias, me identifico mais e mais com a personagem de um livro que ainda não tem fim, um livro que está sendo escrito por mim e para mim.

Não, eu não sou louca.
É claro que prefiro passar meus dias ao lado das pessoas que eu amo, sem a mínima dúvida. Os dias se tornam menos cansativos, menos opressivos e menos inúteis quando estou ao lado de meus amigos. Eu tive esse insight hoje, enquanto estava sozinha, lendo meu livro sobre solidão. Parei por um minuto, acendi um cigarro, e enquanto pensava sobre um futuro distante, voltei-me para o presente e olhei em volta: 'eu estou sozinha, e gosto disso.' Olhei pro céu, cinza, nuvens carregadas de uma chuva que ainda viria a cair, cair sobre minha cabeça, sobre meus ombros, lavando minha alma, carregando minhas máguas.

Esses dias cinzas me deixam meio cinza também.
Tive um dia bom, admito. Apesar de não parecer, estou até um pouco contente. Contente em pensar que um dia posso deixar de aproveitar sozinha meus momentos de solidão, porém triste em pensar que
cada dia que passa, estou mais sozinha, e que talvez demore a aparecer alguém tão solitário quanto eu na minha vida.

Sim, eu gosto de pessoas tristes, depressivas. Sinto que tenho que ajudá-las, obrigo-me a trazer uma pequena luz de felicidade para as pessoas, me sinto útil. Sinto-me feliz, como se alegrando alguém eu possa ter isso de volta um dia, quem sabe...
Mas sabe, queria apenas encontrar alguém com o qual eu não precisasse dividir tristezas e ao menos alegrias, apenas solidão. Seria uma solidão conjunta, nossas solidões se competariam, e isso sim seria um momento memorável.

Mas tudo passa, tudo acaba. Até mesmo nossas convicções e princípios mudam com o passar dos anos. Daqui há alguns anos vou olhar para trás e não vou recordar de nada disso, das palavras não ditas a ninguém, das nuvens carregadas, das leituras que fiz, da solidão que sinto, de nada.
Espero apenas continuar acreditando em um final feliz. Ou não.

Beijosmeliga.
;*









2 comentários:

Eu disse...

"Sou solitária, mas não sozinha..."

Anônimo disse...

Triste a solidão se torna, não pela ausência de barulho e de gente, mas pelo silêncio interior que ela nos submete. Quando julgamos nosso potencial de companhia um fracasso, quando tentamos estabelecer um grau de intimidade conosco e nos deparamos com um verdadeiro estranho.
Gosto da solidão porque ela é um estado de lucidez, são os confetes da folia no chão ao amanhecer.
É gari varrendo apoteose quarta-feira de cinzas. É o não-instruído tentando falar "só lhe dão". É despreocupação. É paz.