segunda-feira, 9 de junho de 2008

Amor e a cidade

Conforme fui lendo o texto da Pitanga, comecei a achar o título um tanto quanto inadequado. Por que haveria de ser “Sexo e a cidade” quando o que procuramos tão desesperadamente é o amor?Ok, trepar é bom.Mas a sensação física por si só não é lá grandes coisas.Sexo sem intimidade é meio inútil, a não ser que o cara/a menina tenha um mapa do tesouro do corpo do outro, caso contrário não será satisfatório, conseqüentemente não atingindo o objetivo mor de uma trepada que é a chegada ao orgasmo. Qual é o objetivo de querermos transar feito loucos, quando na verdade queremos transar feito loucos e dormir abraçados depois?

Para muita gente é difícil admitir/reconhecer que o vazio que o homem moderno sente hoje é culpa do amor.É mais simples ficar 4 horas por dia malhando a bunda na academia e se pegando em boatezinhas Jovem Pan do que admitir para si mesmo que não há nenhuma felicidade em toda aquela futilidade.Usando um auto plágio “O amor pestilento e moribundo, pranteia em um canto escuro pois sua presença foi negada.”.Essa dificuldade de envolvimento que acontece nas grandes cidades é apenas um indicador do quanto nós, homens pós-modernos, somos covardes.Não dá para se dedicar a um relacionamento de verdade, enquanto o relógio e o dinheiro forem os governadores universais.Por que perder tempo escrevendo uma poesia para quem você gosta, se você poderia estar trabalhando e ganhando mais dinheiro?Por que aparecer de surpresa na casa do seu amor se você tem que correr desesperadamente para dar conta de todos os seus 3 cursos, da sua labuta diária de 9 horas, da faculdade, dos trabalhos extras? Por que telefonar para saber como a outra pessoa se sente se você tem que achar tempo para dormir pelo menos 5 horas?Dá muito medo pensar que podemos estar abrindo mão de dinheiro/estudo/zoações com amigos e a outra pessoa é apenas calhorda de marca maior, que te corneia por trás.Solução?Não se envolver, não se dedicar, não se entregar.É muito mais fácil dar prum cara q eu nunca mais vou ver na minha vida, do que ter que encará-lo pro resto dos seus dias.E se ele achou meus peitos caídos?E se achou q meu pinto é torto(se eu fosse um homem, óbviamente)?Não é muito mais fácil apenas sumir do que encarar de que todo mundo tem seus defeitos?

Bonita e interessante?Já não é não?Eu gosto de gente que fala sobre política, que é implicante.Outros gostam de gente submissa que fala sobre moda e academia o dia inteiro.Considerando a diversidade de pessoas nesse mundo, por que há a necessidade de se inclinar para um padrão em vez de admitir sua própria beleza?Tá bom que eu não ia reclamar muito se quisessem me dar um corpo igual ao da Salma Hayek , mas pô só por q não to nos padrões vo deixar d me achar interessante?E vai tomar no cu geral que vier falando “AH mas vc tem peitos, ah vc é alta, ah vc tem o cabelo não sei oq”E os amantes d pés pequenos,cabelos curtos,meninas tímidas, meninas q curtem Sandy e Junior?Tem gosto(inclusive mal gosto) para tudo nesse mundo.

Quanto a “azaração” em locais improváveis, sou muito a favor desde que não seja forçadão.Dificilmente acho que alguém irá encontrar uma pessoa bacana quando sai na noite com o objetivo de capturar uma presa.Já ouvi histórias improváveis do tipo nego se conhecendo na fila de carne no supermercado, pessoas q se viram na maratona do cine odeon e se encontram um ano depois no ponto de ônibus,....Dar uma flertada no Teatro municipal é pinto perto dessas situações.

Relendo meu texto, chego a conclusão de que o amor é sorte.Pode sorrir para você ou não, tornando a vida algo assustador.Também não gosto de enxergar situações aonde não tenho total controle das coisas, mas me parece que é exatamente o que acontece.O jeito é não se proteger contra qualquer contato externo e não se frustrar quando algo aparentemente promissor não dá certo.A falta de previsibilidade da vida, apesar de me dar medo, é o que me estimula.é óbvio que essa é a minha visão das coisas, as conclusões são exclusivas do meu universo particular.Mas oq eu realmente acho é que vc pode muito bem ter a bunda da Sheila Carvalho e ser totalmente insatisfeita, como também ter os dentes nas amígdalas e ter encontrado alguém que te faz feliz.Então se você acha q você sentiria melhor ficando mais bonita, se sentiria mais interessante se tivessem milhões de caras atrás de você, corra atrás disso.Mas se é meramente uma questão social de aceitação, acho honestamente uma perda de tempo.Pq vc pode se esmerar para agradar os outros e acabar de qualquer forma decepcionada.Isso não é uma frase para estimular a acomodação não, mas vida é roleta russa total.

4 comentários:

°°°F disse...

Uma semana inflamada pelo 12 de Junho.
Não sei o que se comemora nessa data desde meu primeiro 12 de Junho.
Certo que já fui "feliz" (como bem falam por aí, quando alguém não está só) algumas vezes nessa data.
Amor ou sexo, não importa. Não quero decidir agora...sozinho.
--
Certo de que não terei tempo para um texto tão elaborado e passional como os dois. Mas gostei muito de ambos os prismas.
°°°=*

DCPC disse...

Gostei do texto, assim como o da Pitanga. Só não tenho nenhum comentário pertinente sobre nada. É um tipo de assunto que eu gosto de escutar os outros mas não curto ficar falando. O que acredito é o que sempre repeti ao longo dos anos: todo mundo quer ganhar mas ninguém quer dar. Num jogo de soma zero, ninguém vence, todos perdem.

A única coisa que comentarei sobre o texto: "Vida é roleta russa total". Discordo totalmente. A vida só é uma roleta russa pra quem vive no limite, em todos os momentos. Há espaços para se arriscar e para se resguardar, em qualquer âmbito, não só amor e afins.

Nisleep disse...

Concordo com a discordância do Daniel..mas todos os risccos e resguardos podem ser anquilados por um atrpelamento ou algo desse naipe.

DCPC disse...

Ah tá, você falou NESSE tipo de casualidade. Bem... Eu não deixo de lado meu argumento, acho certas ocasiões/sentimentos/decisões fortes demais, alguns, pasme, sobrevivem até a morte.