domingo, 27 de abril de 2008

Grand Guignol – de Oscar Méténier a Charles Nonon

Por 65 anos, você foi um palácio de horrores e satisfação macabra. Em vida, levou-nos aos mais profundos abismos da condição humana, mostrando-nos de forma crua e ríspida o que somos e o que sempre seremos. Uma tradição de incesto, tortura, mutilação, insanidade e violência. Lições do bizarro, onde o protagonista poderia ser qualquer um de nós.

Em sua infância perturbada, colocou os pulmões para fora de tanto chorar e gritar as histórias de prostitutas, mendigos e criminosos, dentre outros personagens esquecidos pela sociedade parisiense da época. Atraindo a atenção de diversos curiosos, seu destino estava traçado. Então, em sua adolescência inquieta, a mudança de atitude levou horror e choque aos seus contemporâneos. Vivenciou-se uma época mágica, onde a imaginação e consciente coletivos da população local eram atacados com suas histórias de terror e miséria. E foi aqui que atingiu os céus, tornando-se temido e admirado por legiões de pessoas, desde a escória até a nobreza!

Com o amadurecimento, foi necessário mudar novamente. Assim, nasceram as diversas e bizarras histórias sobre a mente humana. Trágicos destinos foram traçados, e revelou-se o drama psicológico que muitos de nós passamos. Sim, pois Grand Guignol nos mostra uma faceta tão íntima quanto esquecida. Ele vociferou e exibiu o lado escuro e maldito que habita nosso interior, como uma doença que nos faz tombar de dor. Ele cantou e celebrou nossos sentimentos e desejos mais diabólicos, e, de forma chocante, nos lembrou de que os mesmos sempre nos acompanharão. Pois o medo, a maldade, o horror, e a morte, fascinam a todos. São conceitos e estados que não diferenciam credo, raça ou cultura: de Aristóteles a Hitchcock, de Shakespeare a Cannibal Corpse, somos tocados eventualmente pela curiosidade do mórbido e oculto.

Grand Guignol, como um organismo vivo, nasceu, floresceu e morreu. No entanto, não passou desapercebido pelos cidadãos e visitantes de Paris. Enquanto em vida, era uma tradição. Em morte, é homenageado em cada obra ou pensamento mórbido.

De Oscar Méténier, seu criador, a Charles Nonon, aquele que o segurou em seus últimos suspiros, Grand Guignol serviu para nos lembrar de nossa ignóbil condição. Ainda hoje seus suspiros ecoam em todos os campos da arte e do subconsciente. Assista algum filme ou leia algum livro sangrento de horror psicológico, pense ou imagine-se cometendo algum crime bárbaro. Entregue-se ao impulso momentâneo da raiva e espanque outra pessoa. Envolva-se com prostitutas ou escute as histórias de um mendigo desafortunado. Brigue na rua e nocauteie seu oponente. Humilhe alguém.

Sentado no escuro, observe as sombras ao seu redor. Concentre-se e deixe-se ser levado pela imaginação. Explore seu interior e cumprimente o lado macabro e bizarro. Converse. Imagine. Viva.

Celebre o ser humano. Admire quem éramos e seremos, para todo o sempre.

Grand Guignol!

(...)

Caso encontrem-se num acesso de curiosidade, um local para saciar suas dúvidas com relação ao "Le Theatre du Grand Guignol":

http://www.grandguignol.com/

Um comentário:

DCPC disse...

Eu não tenho a menor idéia de comofass para quando clicarmos no link, ele ir direto pra página! Então, quem se interessar, copie o endereço eletrônico e cole na sua janela :)

(Viu, Jean, eu disse que postaria! Hahahaha)